OBRAS
DO
V. DE ALMEIDA GARRETT
IV

(PRIMEIRO DO ROMANCEIRO)

[i]


[ii]

ROMANCEIRO

PELO
V. DE ALMEIDA GARRETT

I
ROMANCES DA RENASCENÇA

QUINTA EDIÇÃO

LISBOA
IMPRENSA NACIONAL
1875

[iii]


[iv]

NA TERCEIRA EDIÇÃO

Publicamos emfim ésta nova edição da primeiraparte do ROMANCEIRO que vai muito superiorás antecedentes, tanto pela correcçãocomo pelos addicionamentos importantes queleva.

A de Londres de 1828 continha apenas aAdozinda e o Bernal-francez; a de Lisboa de1843 ja lhe accrescentou mais quatro romances;na presente ha oito, alêm das novas traducçõesem várias linguas que n’este intervallose teem publicado pela Europa. Não sãotodas porém, e ja muitas das mais notaveisversões appareceram colligidas no appendicedo terceiro volume da presente obra publicadoem 1851; outras o tinham sido no segundojunctamente com os originaes portuguezes[v]primitivos que o nosso auctor reconstruíra.

A sua predilecção por éstas reliquias da antigapoesia peninsular tem feito com que,desde a infancia até hoje, tenham ellas sempresido a occupação das suas ‘Horas de lazer’—‘Hoursof idleness’ segundo a frisanteexpressão de Lord Byron; um quasi mialheiropoetico em que por intervallos, mas sempre,se vão deitando pequenas quantias até quechegam a formar um thesouro. Este é ja umverdadeiro thesouro para os que sabem avaliara riqueza de uma lingua e de uma litteratura.

No meio dos trabalhos mais graves, dascontrariedades mais apertadas da vida pública,o auctor não se tem esquecido do seumialheiro, que, tornâmos a dizê-lo, para nósé thesouro riquissimo. Se ainda assim o nãojulga Portugal, saiba ao menos que essa é aopinião da Europa.

Julho 8, 1853.

OS EDITORES.


[vi]

NA SEGUNDA EDIÇÃO

Depois que publiquei em Londres, em 1828,o meu romancinho a Adozinda que aqui vai nafrente d’este volume, cheguei a ter uma bastantecollecção d’essas trovas e romances populares,xácaras e soláos—designações que,sinceramente confesso, não sei ainda quadrarbem nas diversas especies e variedades emque se divide o genero.

Eram uns vinte e tantos havidos pela tradiçãooral do povo, quasi todos colligidos nascircumvizinhanças de Lisboa pela indústriade amigos zelosos, e principalmente pelo obsequiosocuidado de uma joven senhora minhaamiga muito do coração.

Por voltas do anno seguinte, 1829, os tinhaeu pela maior parte correctos, annotados,—e[vii]collacionadas as principaes das infinitas variantesque todos trazem, porque cada rhapsodistad’estes que sabe a sua xácara, a repettea seu modo, e sempre differente emalguma coisa do que outro a diz.

Cresceram logo mais os meus haveres pelacontribuição de outro amigo tambem muitoparticular e muito prezado, o Sr. Duarte Lessa,homem de raras e prestantes qualidades queamenizava a constante applicação a mais gravesestudos, cultivando a litteratura e a

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